sábado, 11 de agosto de 2007

PAPEL


Quando meus amigos se foram,
me vi só com meus objetos.
Diante de papéis,
de antigos projetos
absorto em pensamentos;
entretido comigo,
refletindo momentos.
Só, com meu cúmplice fiel,
perfeito e imparcial:
o papel.

Confidente,
ouvinte paradoxalmente,
organiza meus sentimentos
através das palavras que vou escrevendo.
Suga toda a tinta da caneta,
absorvendo letra por letra
me livra dos meus dilemas
tornando seus os meus problemas.

Muito preocupado,
com o tempo, dá-se o trabalho
de perder sua alvidez sem tédio -
a dizer que o tempo é o melhor remédio.

Escrevo, escrevo sem medo,
com ele morrerá meu segredo
pois ainda tornar-se-á pó para mim
mostrando que para tudo existe fim.

* * *

Bianca Cardoso


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