domingo, 23 de setembro de 2007
terça-feira, 4 de setembro de 2007
quarta-feira, 29 de agosto de 2007
DIFERENÇAS
Nem todas as semelhanças são quase iguais
Nem todos os fatos são reais
Nem todas as verdades são boas.
Nem todas as certezas são verdades
Nem toda alegria, felicidade
Nem todo sossego, paz.
Nem todas as dicas são úteis
Nem todas as riquezas são fúteis
Nem todas as bruxas são más.
Nem todos os normais são sãos
Nem todos os gritos são vãos
Nem todos os gestos banais.
Nem todo movimento é dança
Nem toda luta cansa
Nem toda fé esperança.
Nem todas as dores têm cura
Nem toda virgem é pura
Nem todos os homens animais.
Nem toda cadeira se senta
Nem todo mal se lamenta
Nem todo juízo é final.
Nem todo inteligente é sábio
Nem tudo que é bom é caro
Nem todo amigo é leal.
Nem toda crença é religião
Nem toda fé ilusão
Nem todo homem é irmão.
Nem todo amor é bom
Nem toda habilidade é dom
Nem tudo o que se ouve é som.
Nem toda vida é viva
Nem toda discussão é briga
Nem todo adeus é partida.
* * *
Bianca Cardoso
domingo, 12 de agosto de 2007
sábado, 11 de agosto de 2007
DIZER E FALAR
Dizer não é falar. A diferença não é sutil. O abismo de significado iguala-se à qualquer antagonismo. Quantas vezes falei o que não queria dizer e quantas outras disse sem falar... Fácil é falar sobre qualquer coisa, qualquer assunto vão ou inútil, se arriscando por caminhos desconhecidos que estão fora de nós, aonde a euforia enlouqueceu e parece estar dançando no meio da multidão embriagada. Todo oposto é dizer. Abrir o coração e deixá-lo escolher as palavras ou os gestos cuidadosamente sempre com um sentimento de quem quer acertar e tem medo do erro, ou ainda deixar todo o sentimento vazar pelo corpo e ainda pelo olhar. É vasculhar o melhor de si aonde quer que esteja dentro de nós, mesmo que perdido, mesmo que sem notícias e mesmo sem encontrar, expressá-lo de repente de forma idealizada com um nobre fim. Dizer é um quase sofrer, por isso normalmente dói, dizer é ter medo de não ser compreendido, dizer é conviver com a expressão pura em si do que se é.
Fala-se mentiras, fala-se dos outros, fala-se da vida, fala-se de algum fato. Falar é praticamente um ato de independência da boca, da língua: seu momento de liberdade; expressão da leviandade. Daí que deve ter nascido a expressão “falou da boca pra fora” dizer da boca pra fora é impossível. Dizer é de uma profundidade tamanha. Tanto é que não há como dizer da vida, pois somente a própria é capaz de se explicar de tão complexa, de se viver a cada dia, de se sentir e fazer passar e experimentar as nuances de cada hora, de cada sentimento, de cada fato na pele de cada um de nós.
Não falo de mim. Eu só posso dizer. Num bate-papo, eu sou daquelas que sempre vai olhar para alguém e verbalizar: “diga”, e não “fale”. Portanto, entenda, que eu nunca te disse nada de ruim na verdade. Se de mim ouviu algo assim, eu não disse, falei. Falei.
Fala-se mentiras, fala-se dos outros, fala-se da vida, fala-se de algum fato. Falar é praticamente um ato de independência da boca, da língua: seu momento de liberdade; expressão da leviandade. Daí que deve ter nascido a expressão “falou da boca pra fora” dizer da boca pra fora é impossível. Dizer é de uma profundidade tamanha. Tanto é que não há como dizer da vida, pois somente a própria é capaz de se explicar de tão complexa, de se viver a cada dia, de se sentir e fazer passar e experimentar as nuances de cada hora, de cada sentimento, de cada fato na pele de cada um de nós.
Não falo de mim. Eu só posso dizer. Num bate-papo, eu sou daquelas que sempre vai olhar para alguém e verbalizar: “diga”, e não “fale”. Portanto, entenda, que eu nunca te disse nada de ruim na verdade. Se de mim ouviu algo assim, eu não disse, falei. Falei.
Bianca Cardoso
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